O Cruzeiro não só pôs fogo no Campeonato Brasileiro. Ao derrotar o líder Grêmio por 3 a 0 no Mineirão, na noite desta quarta-feira, mostrou que é um forte candidato ao título, arrancando da torcida o grito de "seremos campeões". O time mineiro foi a 58 pontos, continuando em terceiro lugar, mas agora com apenas um a menos do que o adversário, que ainda lidera a competição, com 59. Os gols da bela vitória celeste foram marcados por Wagner, aos 14 segundos de jogo, Jonathan e Guilherme.

A zona da Libertadores agora tem quatro times com apenas um ponto de diferença. O São Paulo está empatado em pontos com os gaúchos, mas perde no número de vitórias. E o Palmeiras, quarto colocado, está colado na Raposa, com 58, e um triunfo a menos. O Flamengo, com 56, vem em quinto, um pouco mais afastado.

Na próxima rodada, o Cruzeiro enfrenta o Goiás no Serra Dourada, às 17h de domingo. No mesmo dia, mas às 19h10m, o Grêmio recebe o Figueirense no Olímpico


Não há outro jogo neste Brasileirão que reúna dois times tão acostumados à ponta da tabela. O líder Grêmio e o terceiro colocado Cruzeiro são os maiores freqüentadores do G-4: os gaúchos ficaram três rodadas fora da zona de classificação para a Libertadores, enquanto os mineiros se ausentaram por apenas uma. Apesar desse bom retrospecto, o jogo de 21h50m (de Brasília) desta quarta-feira, no Mineirão, tem caráter de afirmação.

Os dois times viram seu aproveitamento cair na segunda metade do campeonato. A prova disso é que o Cruzeiro ocupa apenas a sétima colocação do returno, e ainda assim está duas acima do Grêmio. Os gaúchos ao menos se seguraram na liderança e lá permanecerão por, no mínimo, mais uma rodada. O problema é que não têm assustado adversários em seus campos, como no início do Brasileiro. O time, que venceu o Sport por um minguado 1 a 0 no Olímpico na última rodada, colheu resultados decepcionantes nas três últimas vezes em que atuou fora de casa: derrota para a Portuguesa por 2 a 0, goleada para o rival Inter por 4 a 1 e empate em 0 a 0 com o Atlético-PR.

A situação é mais decisiva para o Cruzeiro, que jogará diante de um Mineirão cheio e, em caso de derrota, poderá sair do G-4 pela primeira vez em 18 rodadas. No último sábado, teve atuação ruim e foi derrotado pelo desesperado Atlético-PR na Arena da Baixada. Caiu para a terceira colocação e perdeu qualquer chance de ultrapassar o Grêmio nesta quarta-feira.

Além da necessidade de afirmação, outro detalhe une as duas equipes: o mistério em torno da escalação. Adilson Batista e Celso Roth são adeptos da tática de só divulgar suas escalações 45 minutos antes do início do jogo. Antes de um confronto decisivo como o desta quarta-feira, o suspense se torna ainda maior.

Os técnicos Adilson Batista e Celso Roth tratam com cautela o jogo desta quarta-feira, entre Cruzeiro e Grêmio, no Mineirão. O primeiro deve escalar três zagueiros, e o segundo pensa em encher o meio-campo com seis jogadores, além de usar seu tradicional trio de beques. Mas os maiores obstáculos para que os atacantes consigam balançar a rede estão no gol.

O cruzeirense Fábio e o gremista Victor estão entre os destaques da posição neste Brasileirão e são fortes candidatos para integrar a seleção do campeonato, que nos dois últimos anos teve Rogério Ceni como titular.

De bem com a torcida, Fábio e Victor vêm de atuações seguras contra Atlético-PR e Sport, respectivamente. Perguntado se os dois são os melhores do campeonato, o goleiro do Cruzeiro prefere não apontar seus favoritos. Mas deixa soltar uma cutucada nos medalhões, sem citar nomes:

- Eu e Victor somos dois goleiros que tentam fazer o melhor para as suas equipes. É injusto falar em apenas dois ou três. Há vários goleiros buscando o melhor e às vezes não são reconhecidos, mesmo estando em times na ponta da tabela. E alguns com um certo nome são levados muito em consideração pela imprensa.

Além do cuidado com os atacantes, os dois goleiros precisam ficar atentos com a parte disciplinar. Ambos estão pendurados com dois cartões amarelos e correm o risco de desfalcar suas equipes pela primeira vez, já que participaram das 31 rodadas do Brasileirão, não dando chance aos reservas Andrey e Marcelo Grohe.


São grandes as chances de o campeão brasileiro de 2008 usar o esquema tático com três zagueiros. Entre os cinco principais candidatos ao título, o único a utilizar o bom e velho 4-4-2 é o Cruzeiro de Adilson Batista. O técnico Celso Roth, do Grêmio, citou a supremacia do 3-5-2 nesta reta final do campeonato ao ser questionado se o seu esquema teria prazo de validade.

- Se tivesse prazo de validade, as outras equipes não jogariam assim. Dos times que estão na ponta, só o Cruzeiro usa o esquema com dois zagueiros, liberando os laterais. O importante é fazer funcionar o esquema. Todo mundo sabe como o time joga, conhece as jogadas, as características e as alternativas. O momento do campeonato é de vitória pessoal. Cada detalhe, seja técnico ou físico, determina o resultado do jogo.

Entre os adeptos do 3-5-2, há quem utilize três zagueiros de origem - como o São Paulo de André Dias, Rodrigo e Miranda, e o próprio Grêmio de Léo, Pereira e Réver. Já Flamengo e Palmeiras preferiram adaptar um volante na zaga. No time carioca, é Jailton que exerce essa função, ao lado de Fábio Luciano e Ronaldo Angelim. No paulista, Martinez atua mais recuado e forma o trio com Roque Júnior e Gustavo.

No Cruzeiro, Espinoza e Thiago Heleno formam a dupla titular. Nesta quarta-feira, o segundo cumprirá suspensão automática e deverá ser substituído por Leo Fortunato. Marquinhos Paraná é o volante mais recuado e responsável por proteger os dois zagueiros.

O time mineiro fará um duelo de esquemas táticos contra o Grêmio nesta quarta-feira, às 21h50m, no Mineirão. Os gaúchos lideram o Brasileirão, com 59 pontos, quatro a mais do que o adversário, que está em terceiro lugar

Dilema Colorado...

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O discurso nos bastidores é de otimismo, é claro. Mas a chance de o Inter chegar à Libertadores depois do empate em 2 a 2 com o Atlético-MG, sábado, é quase nula. São necessários 20 de 21 pontos nas últimas sete rodadas. Agora, a questão é outra: com força total na Sul-Americana, um Inter "light" enfrentaria o São Paulo (2 de novembro, no Morumbi) e Cruzeiro (30 de novembro, no Beira-Rio), adversários diretos do Grêmio na campanha do título?

Vamos aos fatos: espécie de porta-voz do grupo, ao final do empate em Belo Horizonte o meia Alex falou em "jogar pela honra". Ou seja, seguir sem a pressão de alcançar meta no campeonato. O jogo contra o Náutico, quarta-feira, no Beira-Rio, já pode ser apenas estratégico, em preparação à partida decisiva de 6 de novembro, contra o Boca Juniors, na Bombonera, pela Sul-Americana.

– O mínimo que temos de fazer é conquistar o maior número de pontos possíveis. Se vai dar ou não, veremos no final – reforça Alex no Aeroporto Salgado Filho.

A situação do Beira-Rio bate de frente com os interesses do Olímpico. No próximo domingo, antes do Boca, portanto, o Inter vai ao Morumbi enfrentar o concorrente mais acirrado do Grêmio pelo topo do Brasileirão. Não à toa, até os gremistas torceram pelo Inter contra Atlético-MG. Queriam que os vermelhos mantivessem a esperança de se classificar à Libertadores.

A chegada da delegação em Porto Alegre, no domingo, foi um indício. Antes do jogo do Mineirão, Tite projetava a conquista de, pelo menos, quatro pontos nos confrontos contra Atlético-MG e Náutico. Mesmo assim, apareceu no portão de desembarque abatido. Sorriu ao cumprimentar um amigo. Mas quando outra pessoa perguntou se ainda era possível sonhar com a Libertadores, o técnico apenas olhou para o torcedor e foi embora, calado.

O sentimento de missão impossível tomou conta do grupo. Ainda no vestiário do Mineirão, os dirigentes mantiveram o discurso de não fazer projeções e apenas focar o próximo jogo, sem priorizar Brasileirão ou Sul-Americana. Tite parabenizou a equipe pela rápida recuperação física após o confronto com o Boca Juniors e disse ter boa expectativa para o futuro devido à atuação do time no segundo tempo.


Os jogadores, porém, estavam desanimados com novo revés fora de casa. Lembraram de outros pontos perdidos no decorrer do campeonato em situações parecidas, como nos jogos com Palmeiras, Flamengo e Náutico no primeiro turno. Para mostrar mobilização, apoiaram-se na matemática, mas admitem que a Libertadores é um sonho muito distante.

– Tem que dar, né? A matemática nos dá condições ainda. Temos que lutar até o final – afirma Daniel Carvalho.